Dúvidas Frequentes
Quem toma medicamentos controlados deve tomá-los a vida inteira?
Não. Na maioria dos casos não.
Mas, é preciso fazer uma distinção na generalização que muitas pessoas fazem de psicofármacos ou psicotrópicos de uso controlado. A maioria das pessoas fala como se fossem todos iguais, e não são!
Há os de faixa vermelha e os de faixa preta. Então vejamos:
Dentre os de faixa vermelha há diversos grupos diferentes, principalmente:
- Antidepressivos: para tratar depressão e ansiedade.
- Indutores do sono: para tratar insônia sem provocar dependência.
- Estabilizadores de humor: tratam transtorno bipolar, dores crônicas, impulsividade, etc.
- Anticonvulsivantes: tratam epilepsias, dores crônicas, dependências químicas, etc.
- Antipsicóticos: tratam sintomas psicóticos, eventualmente transtorno bipolar e depressões.
Estas medicações de faixa vermelha NÃO PROVOCAM DEPENDÊNCIA. Portanto, o tempo durante o qual a pessoa terá que tomar estas medicações dependerá da gravidade da doença.
Medicamentos de faixa preta são de dois tipos em psiquiatria:
- Estimulantes: anfetaminas - para tratar Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), e pessoas que trocam o dia pela noite ou têm narcolepsia.
- Calmantes: benzodiazepínicos, sejam somente calmantes ou soníferos (indutores do sono).
Os faixa preta são medicamentos que, SE PRESCRITOS INDISCRIMINADAMENTE, levam à dependência física e emocional. Apesar de haver um mito muito grande em torno dos psiquiatras prescreverem estes tipos de medicação, na verdade, são os médicos de outras especialidades que mais os prescrevem.
Na psiquiatria os estimulantes são mais usados em casos de TDAH, onde já mostraram não provocar dependência nas crianças e adolescentes portadoras deste transtorno. Sendo possível inclusive esquemas com feriados terapêuticos, férias terapêuticas, isto é, períodos em que o portador de TDAH não faz uso do estimulante porque não terá atividades escolares, por exemplo.
Enquanto os calmantes, normalmente não são a primeira escolha de tratamento psiquiátrico para pessoas ansiosas e ou insones, e quando são prescritos somente o são por um curto período de tempo, havendo uma retirada desta medicação em seguida, até o medicamento principal (faixa vermelha) estar fazendo seu efeito.
Quem vai consultar psiquiatra é doido?
Não. Por uma razão simples: aqueles a quem chamam de “doido”, isto é, a pessoa que perdeu o juízo de realidade, são incapazes de perceberem-se como tal, logo não se acreditam doentes, ou necessitando de tratamento, ou ajuda médica.
Apesar de ser de DESCONHECIMENTO inclusive da maioria das outras especialidades médicas, a maior causa de procura à consultórios psiquiátricos são os TRANSTORNOS DE ANSIEDADE. Os TRANSTORNOS DE HUMOR também são outra importante causa de procura.
Quadros clínicos coroados por sintomas psicóticos são minoria. Então, embora algumas pessoas imaginem que um consultório psiquiátrico é um local barulhento, cheio de gente gritando, insana, na verdade, para estas pessoas o nosso consultório psiquiátrico é uma decepção porque: costuma ser um local calmo, onde cada paciente aguarda na sala de espera seu horário (hora marcada), ouvindo som ambiente (do pop à MPB), enquanto folheia revistas, etc.
Agitação, gritaria, pessoas psicóticas – estas são cenas de pronto-socorro psiquiátrico em dia de pacientes graves. Assim como ninguém vai ao consultório de um cirurgião e lá chegando entrará, às pressas, um paciente esfaqueado sangrando como se estivesse em um dos filmes da franquia “sexta-feira 13”: o paciente sangrando é um caso gravíssimo e irá ao pronto-socorro.